domingo, 12 de junho de 2011

28 minutos

Finalíssima da Copa do Brasil entre Coritiba e Vasco da Gama, no Couto Pereira. O placar, dois a dois, dá o título aos cariocas. Os paranaenses precisam de mais dois gols para levar a taça. Aos 22 minutos do segundo tempo, o volante Willian, do Coxa, aproveita um rebote da defesa vascaína e arrisca um inacreditável chute de fora da área. Golaço. No ângulo do goleiro Fernando Prass. Incendeia o Inferno Verde.

E aí começam os tais 28 minutos. Quem sabe os mais dramáticos 28 minutos da história da família cruzmaltina. A mãe grita que o time está recuado demais. O pai deixa o sofá e senta no chão, para ficar mais próximo da tevê e dos jogadores. O irmão, quase sempre tão blasé quando o assunto é futebol, xinga inesperada, impublicavelmente. E eu, assustado, apenas abaixo a cabeça, à espera do pior.

Poucas vezes, em 31 anos de maracanices, abusei tanto do meu sistema ultranervoso. Mãos e pernas tremiam sem o menor pudor. Coração, cabeça e estômago faziam uma ola atrás da outra  como se meu corpinho magrelo fosse a arquibancada de São Januário em dia de final de campeonato. Um caldeirão prestes a transbordar.

Bola na grande área do Vasco... A zaga afasta, o pai corta, a mãe despacha, o irmão isola e eu chuto para o lado que o nariz aponta. O árbitro aponta quatro minutos de acréscimo. A família cruzmaltina dá as mãos. O pouco que falta é uma eternidade. Diego Souza e Felipe, tão destemidos dentro das quatro linhas, se encolhem fora delas. Fecham os olhos. Fecham também os nossos olhos.

Vêm à lembrança os anos truculentos, os anos sem campeonatos, os anos do rebaixamento e do acesso, o pior início de ano dos 113 anos de um clube tão gigante quanto singular. E ainda assim o sentimento não parou. Não podia. Pois família que é família de verdade não desiste jamais  tem amor e esperança infinitos.

Abrimos os olhos. Até o goleiro do Coritiba no ataque. O juiz inventa mais um minuto. A bola vai e volta teimosa: vai com o veloz Éder Luís e volta com os briosos jogadores do time verde. Segundos finais, e ela quica na grande área vascaína pela última vez. Chutamos a derrota para longe. A contagem regressiva desacelera, desacelera...

... até o apito final. Explosão.

2 comentários:

Liga Paraiso disse...

bom jogo

Carbonato de Cálcio

kbritovb disse...

eu acho que o Coritiba jogou melhor e merecia vencer, mas fazer o que né
parabéns pro Vasco